quinta-feira, 6 de novembro de 2014


Crónicas da cidade                













Cegos, surdos e mudos

             Era mais um dia fatigante, triste e solitário. Na verdade, era apenas um dia igual a tantos outros.
             Estava distante, pensando através do vidro do carro, o mesmo que me separava do mundo exterior e da confusão que se gerava logo pela manhã.
             Enquanto esperava na longa fila de carros que se mantinha à minha frente, liguei o rádio. A música já tinha acabado e, poucos segundos depois, ouço uma voz incrivelmente grossa e apelativa. Encostei-me confortavelmente no banco e fiquei a escutá-la. Quando a mensagem acabou, esbocei um sorriso, olhando para a pessoa que se encontrava no carro ao lado.
             Nesse momento, percebi a razão daquela mensagem. Não é que as pessoas estejam erradas, é que apenas não dão o melhor de si. Hoje ignoram o que sentem, mas amanhã talvez não tenham a oportunidade de dizer o quanto amam os outros, pois só sabem valorizar alguém, quando essa pessoa já não está por perto. Aí, o sentimento já parece remoto e pouco exibido, e dessa forma as aparências tomam o seu lugar. Vivemos de aparências, procurando sempre atingir os ideais.
           Até que ponto podemos ser tão fúteis? Até ao ponto de pensarmos que iremos ficar cá para sempre, mas somos apenas convidados neste mundo. O ser humano tem de aprender a superar, a aprender e a melhorar, partindo das suas experiências.


Mónica Marinho 9º B Nº 18

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